Mestrado – Parte 1 (O antes)

Hoje resolvi vir aqui e falar de algo que algumas pessoas já vieram me perguntar e, pensando bem, pode ser mesmo uma questão de utilidade pública: mestrado!

Obviamente eu não sou um guru do meio acadêmico e lógico que não vou me meter aqui a falar pra vocês qual mestrado fazer, que área seguir e como levar os seus estudos, eu simplesmente vou dividir com vocês a minha experiência.. tomara que isso ajude alguém de alguma forma, senão vai ser só mais uma perda de tempo mesmo.

“Carol, como você começou essa história? Da onde veio essa ideia?”

Em 2014 eu me formei na faculdade de direito (UFRJ no Rio de Janeiro). Saí da faculdade bem perdida porque nada que eu tinha feito até então tinha me dado aquele estalo de “nossa, era isso que eu queria fazer pro resto da minha vida”. Como eu estava com essa crise, antes mesmo de sair do meu último trabalho dentro do direito – um escritório de advocacia – eu comecei a estudar minhas possibilidades.

Antes mesmo de acabar a faculdade eu já sabia que o problema era que eu não curtia o direito tanto assim e, por isso, nada que eu fazia me preenchia de verdade, mas não sabia pelo que trocar e fiquei com medo de sair da faculdade e acabar sem diploma nenhum, de nada, fazendo nada da vida e levei o curso até o final. Mas nesse caminho eu descobri várias afinidades com a comunicação, com a administração, até mesmo com o empreendedorismo e comecei a procurar alternativas dentro dessas áreas.

espm

Meu primeiro reflexo foi buscar um pós que eu pudesse fazer fora do direito, em uma área como gestão de marca, comunicação, produção de eventos, etc.. aqui no Rio a minha maior referência pra essas matérias é a ESPM, então fui lá procurar algo pra fazer. No site de Pós-graduação da instituição é possível ver as opções de especializaçãoMBA e Masters e MBA Executivo (que só tem na sede do Sul). Eu estudei por muito tempo a possibilidade de fazer uma pós em gestão de empresas e marketing, que me interessava muito, mas ela custava caro e eu estava sem capital de investimento naquele momento.

Já saída do escritório, em final de 2014, eu comecei a vender em uma loja. Trabalhar na Papel Craft me ensinou demais – como vendedora e como pessoa – mas mais importante que isso: me fez ver que eu tinha vontade de ter meu próprio negócio. Mais ainda, que se eu quisesse mesmo fazer isso, ia ter que aprender muita coisa que o direito não me ensinou pra ter sucesso. Então comecei a saga em busca de cursos de empreendedorismo, mais uma vez fui ver na ESPM – eles têm um curso de empreendedorismo social que parece ser demais – mas, de novo, muito caro pro que eu tinha em mente. Comecei a fazer cursos online gratuitos no SEBRAE, que são bons pra te introduzir nos assuntos de negócios, mas são muito iniciantes. Depois comecei a focar na área de alimentação, porque eu já vendo cupcakes por um tempo, procurei cursos aqui no Brasil e fora, mas acabei mudando o foco DE NOVO.

Enfim, depois de muito pensar sobre o que eu poderia fazer com o que eu já tinha, um diploma de direito, eu filtrei minhas experiências e constatei uma coisa: eu gostava da faculdade. Calma, eu não mudei de ideia. Eu continuo até hoje sem gostar de direito, mas da faculdade, das matérias, de estudar, de ler eu gostava.. Ou seja, eu gostava da teoria, só não queria fazer aquilo na prática. Se eu gostava da teoria, logo, eu poderia continuar estudando aquilo, pesquisando, me aperfeiçoando e, quem sabe, repassar meus conhecimentos para outras pessoas. E voilá surgiu a ideia do mestrado.

“Como você escolheu aonde fazer?”

logo-uerj-930x1024

Eu gostaria de dizer pra vocês que eu pensei muito e estudei muito as minhas opções e fiz milhares de seleções, mas no final escolhi a UERJ.. só que se eu disser isso vou estar mentindo.

No início eu queria fazer o mestrado fora.. problemas com isso eram os de sempre: dinheiro, disponibilidade, família, namorado, etc. Além disso, se eu pretendia dar aula em algum momento e começar a cuidar da minha vida, eu precisava de um mestrado que valesse no Brasil e muitos cursos da Europa e dos EUA não são aceitos aqui como mestrado, pela quantidade da carga horária! (mesmo que o nome seja Master) Isso é muito importante de você checar, porque as vezes o curso parece perfeito, mas se a sua vontade for dar aula aqui, ele também tem que ser homologado no país. Pay Attention.

Só a título de curiosidade, eu pesquisei mestrados na HULT International Business School e na University of Amsterdam.

Enfim.. no meio dessa confusão, fui viajar, passei um mês na Califórnia e.. quando voltei o edital do mestrado da UERJ em direito estava aberto. Só de curiosidade eu olhei as ementas e bibliografias de cada linha de pesquisa e AMEI os temas dos textos de Propriedade Intelectual da linha de Empresa e Atividades Econômicas – foi amor a primeira vista, me inscrevi, paguei.. e agora José?

Um esclarecimento sobre a linha de Empresa e Atividades Econômicas da UERJ – ela aborda direito empresarial e direito do trabalho. Essas são duas matérias que aparentemente não se bicam, mas na realidade são dois lados da mesma moeda, porque afinal de contas, de que são feitas as grandes empresas se não de empregados, não é mesmo?  Então além dos textos que eu gostei, tinha também direito do trabalho, societário e comercial. Beleza. Direito Comercial foi uma das matérias que eu mais detestei na faculdade, só pra fazer o adendo.

“Como você se preparou para a seleção?”

Mestrado

Entre a liberação do edital e o dia da primeira prova tinham aproximadamente dois meses. Eu baixei o arquivo com os nomes dos textos da bibliografia, procurei todos no google, baixei o que eu consegui baixar, e o que eu não consegui simplesmente pesquisei em bibliotecas, livrarias e etc. Recolhi todo o material, imprimi e apostilei, depois disso foi estabelecer metas diárias de leitura pra fechar todo o edital.

Olha, nesse momento eu poderia dizer que foi mel na chupeta e que o edital era pequenino, que eram poucas páginas, que era tranquilo estudar no fim de semana vendo uma série, mas.. essa não é a vida real né, galera? Abri mão de tudo que eu tinha pra fazer. Como eu tinha saído da Papel Craft pra viajar, abdiquei de entrar em outro emprego e fiquei em casa pra estudar. Cada dia matava 100-150 páginas, de um total de quase 13 livros inteiros. A nossa bibliografia era uma das mais extensas e tinha muitos livros, como eu cheguei desavisada, li tudo que tinha pra ler, TUDO. Se tava no edital, eu li. Catei artigo de periódico de tribunal da justiça do trabalho e li – quem fez direito sabe que isso é PUNK.

“Carol, mas eu trabalho, não posso deixar de trabalhar, é possível passar?”

Olha, nada nessa vida é impossível. Mas algumas coisas são mais difíceis que outras. Das 11 vagas que foram abertas pra minha linha de pesquisa só 8 pessoas passaram e de todas elas eu era a ÚNICA que não estava trabalhando durante o processo de estudo pro mestrado. Mas vou te explicar agora o porque: as pessoas que passaram comigo são SUPER inteligentes e TODAS tinham experiência em áreas abordadas pelo mestrado. Tem 2 ou 3 advogados de societário, um pesquisador de propriedade intelectual, uma advogada do BNDES, advogado de propriedade intelectual, enfim.. gente que sabia o que estava fazendo quando se inscreveu pro mestrado. Bem diferente de mim, como vocês podem depreender da minha narrativa até aqui!

Então a minha resposta pra você que trabalha e quer fazer esse mestrado é: depende. Se você domina de alguma forma alguma das matérias você tem sim chances de passar, desde que se dedique a ler os textos (pelo menos os principais) da bibliografia. Se você for um desavisado que nem eu, provavelmente não. Porque eu juro que eu só passei porque eu li toda a bibliografia, resumi, reli, enfim.. e também porque Deus ajudou um pouco – eu sou bem sortuda.

“Mas sua seleção foi só de uma prova?”

Não! A seleção do mestrado na UERJ é composta por 3 etapas, prova de conhecimentos específicos, prova de línguas e entrevista.

Prova de conhecimentos específicos: Eu não sei dizer como são as provas das outras linhas, mas a de Empresa foi bem dentro da bibliografia, de forma que, se você não tivesse lido nenhum dos textos/livros que caíram, você poderia nem ter pontuado nada na prova (Sim, nada.. Eita mesmo).

Prova de línguas: Ao fazer a inscrição você pode optar por uma dentre 4 línguas (inglês, francês, espanhol ou alemão) para essa etapa. Eu escolhi inglês e foi o melhor que eu fiz. Era um texto em inglês falando sobre direito nos EUA e uma das manobras processuais que eles usam lá que é “plead guilty” ou seja, se admitir culpado pra amenizar de alguma forma a pena. A prova pedia em português pra você interpretar o texto. Sim, as questões estavam em português e as suas respostas também eram em português e você só tinha que entender o texto mesmo. Eu achei fácil.

Entrevista: Pra mim que não era de nenhuma das duas áreas (Empresa e Trabalho) essa foi a pior fase da seleção, fiquei muito nervosa e os professores tiveram dificuldade de entender porque eu estava aplicando pra linha de pesquisa deles – completamente compreensível essa dificuldade, já que nem eu sabia essa resposta – e ficaram um pouco na defensiva. O importante é passar e no final das contas foi o que aconteceu.

Pros posts não ficarem gigas eu decidi cortar essa história. Esse foi meu período antes de ingressar no mestrado e semana que vem eu divido com vocês como tem sido o meu durante 😉

Advertisements

O justo é o novo preto: MALHA

Domingo um amigo comentou comigo sobre um novo centro de moda colaborativa que vai inaugurar em São Cristóvão. De fato, eu já tinha ouvido alguém falar sobre isso há um tempo atrás. Li em algum artigo, ou talvez no adoro (blog da farm). Como no dia estava em um momento de muita inspiração e curiosidade – curiosamente provocado por efeito inverso do que deveria ser minha ressaca da choppada de sábado – resolvi pesquisar mais a fundo.

Achei o projeto tão legal que resolvi escrever aqui sobre ele.

Na verdade a criação da MALHA é resultado de um processo de conscientização muito maior, que eu venho acompanhado já há alguns anos e que vai ter post específico sobre o assunto: o movimento slow fashion, o slowsumerism, sustentabilidade e a maior conscientização com relação à moda como cadeia produtiva.

Nos últimos anos nós vimos de tudo nesse mercado: trabalho escravo, questionamento sobre qualidade de material, questionamento sobre padronagem de tamanhos e o modelo de corpo das modelos, o descarte desenfreado de peças e coleções inteiras em nome de tendências que não se mantinham nem três meses nas prateleiras, fora o descaso com o meio ambiente, com a vida dos animais e, principalmente, das pessoas em áreas de produção.

A verdade é que já usamos tudo que podíamos desse mundo de forma muito irresponsável e chegou a hora de questionarmos o que tem sido feito e a forma como tem sido feito, pra criar novas oportunidades pras gerações futuras. Afinal de contas, uma indústria que faz tudo isso e sai impune não o faz sem qualquer autorização, pelo contrário, FAZ porque seu público consumidor apoia (mesmo que de forma tácita) os seus comportamentos. Vale tudo pela moda? As mudanças e a conscientização foram chegando em diversos campos cada vez mais fortes e implacáveis e a tendência é vermos cada vez mais transformações nos mercados que compõe o nosso dia a dia. #aindabem

Cada vez mais as pessoas questionam os métodos antigos pra buscar novos menos agressivos, mais humanos e que supram as necessidades de alguns sem arriscar e sacrificar as vidas de outros, seus costumes, sua dignidade. É preciso mudar o pensamento do público que recebe os produtos. Na moda esse pensamento também teve reflexo e boa parte dele está estampado no conceito da MALHA.

A ideia principal do projeto, que já vai sair do papel pra abrir as suas portas em São Cristóvão, é de conexão entre todos os pontos que se relacionam no mundo da moda – produtores, costureiros, estilistas, consumidores, fotógrafos. Todo mundo que tem um pézinho nesse mundo (ou não, mas queria ter) vai ter espaço pra conversar, se relacionar, produzir, consumir, aprender e ensinar na MALHA. Ou pelo menos essa é a proposta.

“Mas que diferença isso faz?” Primeiro que todo mundo pode se ajudar, assim, os custos de produção são dissolvidos entre diversos agentes. O material pode ser comprado em conjunto. O consumidor pode conhecer exatamente todos os processos da confecção da sua roupa. É mais fácil, desta forma, produzir com preço justo – tanto pros trabalhadores como pros consumidores. Resumindo: fica tudo muito bem, obrigada.

Eu, particularmente, como mera espectadora desse mundo e grande fã do André Carvalhal, um dos idealizadores, estou ansiosa pra ver como vai ficar na vida real a construção de tantas boas ideias. O espírito é pegar aqueles ditados “unidos venceremos”, “a união faz a força” e “se quiser algo bem feito faça você mesmo” e misturar em uma nova plataforma de criação, produção e divulgação de moda. Acho super válido todos que tenham interesse no assunto, no mercado, nos novos movimentos de conscientização e humanização do capital, irem e verem com os próprios olhos o resultado. Eu sei que eu vou!

Dá uma olhada no site dos caras pra ver o projeto, vale a pena! MALHA

Já até me inscrevi na newsletter deles pra receber tudo que tiver de interessante (;

É isso, achei interessante.

Vale a pena ler sobre o assunto (e assuntos conexos):

(1) http://radioibiza.com.br/blog/pra-vestir/nao-consuma-menos/
(2) http://www.malha.cc/midia/
(3) http://radioibiza.com.br/blog/pra-destacar/malha/
(4) http://reviewslowliving.com.br/2014/09/24/o-que-e-o-slow-fashion/
(5) https://issuu.com/mareperuska/docs/reportexx