Fashion Revolution Week

Você sabe quem fez as roupas que você está usando agora?
Você sabe em que condições essa pessoa trabalhou pra você usufruir desse seu querido casaco? Ou dessa calça confortável?
Não? Que tal perguntar pras suas marcas preferidas então?

Quer entender mais sem ler esse post? Entra lá no site do Fashion Revolution!

Esse é o ideal da semana de revolução da moda ou Fashion Revolution Week, um movimento internacional que quer diminuir o consumo inconsciente! Nossas roupas nem sempre têm um histórico bom.. desde 2013 (quando o complexo fabril Rhana Plaza desabou matando centenas de trabalhadores na India) marcas internacionais vêm sendo investigadas e estigmatizadas na mídia por não se responsabilizarem pela cadeia produtiva de suas roupas e acessórios.

“não se responsabilizarem pela cadeia produtiva? o que isso significa?”

Isso significa que, de repente, aquela blusinha que você pagou 5 doletas para adquirir na Forever21, naquela sua viagem de 2013-2014, foi produzida por crianças ou por adultos que eram pagos 10 reais pelo seu dia de trabalho. Ou pior ainda, por crianças e adultos, pagos 10 reais a hora para trabalhar em condições impossíveis de trabalho (como por exemplo em salas pequenas, de alta temperatura e próximos à maquinas barulhentas de costura em massa, durante 17 horas em um dia). Sim gente, isso acontecia.. e infelizmente ainda acontece.

Estas pessoas não trabalham diretamente para as marcas, mas são subcontratadas pelos produtores contratados por elas. É exatamente aí que entra o lance da responsabilidade. Se a gente vê isso na internet.. como que a marca internacional que ganha milhões de dólares por ano não sabe? E mais, ela não deveria pelo menos tentar saber? Visitar as fábricas, checar os contratos? Fechar os olhos para conseguir o preço mais barato não é legal e não deveria ser aceito, principalmente por nós consumidores, que moldamos os hábitos de nossas marcas através de algo que presamos muito: nosso dinheiro!

Além do trabalho análogo ao escravo, temos também a questão do desperdício, da produção de lixo e da emissão de gases e toxinas poluentes no meio ambiente. Tudo isso é recorrente na produção de moda e ainda não temos um remédio eficaz para combater estes sintomas que estão matando o mundo e a nossa sociedade.

Estas são todas questões levantadas pelos responsáveis pelo movimento “Fashion Revolution” e de 24 a 30 de abril eles tentam conscientizar os consumidores e convence-los a perguntar às suas marcas: quem fez minhas roupas? quem costurou minha bolsa? Esse simples movimento mostra que as pessoas estão de fato preocupadas umas com as outras e com o futuro.

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Foto: @fash_rev_brasil

Abaixo separei alguns posts interessantes do @fash_rev (instagram da Fashion Revolution) publicados esta semana. Os números e dados foram coletados em parceria com o Greenpeace!

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Apenas 32% de 100 marcas divulgam sua lista de fornecedores (da primeira etapa da produção)
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Apenas 14% de 100 marcas divulgam onde suas roupas são tingidas, impressas e finalizadas.
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Nenhuma das 100 marcas consultadas divulga detalhes sobre os fornecedores de suas matérias primas.
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Transparência > Responsabilidade > Mudança
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A produção mundial de roupas mais do que duplicou desde 2000.
07
Nós compramos bem mais e usamos bem menos que nossos bisavós e avós.
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30x o peso do empire state building é descartado em roupas nos Estados Unidos.
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Aumentando o uso de suas roupas de 1 para 2 anos você ajuda a reduzir 24% das emissões poluentes todo ano! Todas as fotos foram retiradas do Instagram @fash_rev

Gente, participem, mandar um e-mail não custa nada, é mole mole e faz uma super diferença! Mais do que mandar o e-mail, acompanhe e verifique (se possível) a resposta que você recebeu.

Antes de comprar sua próxima roupa, se informe sobre as práticas da marca e pense no que você tem no armário! Abuse do styling pra deixar suas roupas sempre na moda e evitar o desperdício, a produção de lixo e o consumo desenfreado.

Tem interesse sobre esse assunto? Eu também! Vem falar comigo! Pode comentar aqui ou ir lá no insta (@kerolss) que a gente bate ótimos papos sobre isso 😉

Beijos e PENSEM bastante!

Avaliando: OrnaMakeup

Não é novidade que eu sou fã do Blog Tudo Orna. Vira e mexe eu coloco referências de coisas que eu vi, descobri e aprendi a amar com as irmãs Alcântara. Elas são pra mim um modelo de como todo mundo deveria ser, em termos de ética, estilo, comportamento.. enfim.. verdadeiros exemplos mesmo.

Quer ver detalhes contados pelas próprias irmãs sobre a marca de maquiagem? Entra !

Há um tempinho (coisa de mês) elas criaram uma marca de maquiagem chamada “Orna MakeUp”, segundo elas mesmas, uma realização de sonho antigo das três que sempre pensaram em ter a própria linhas de maquiagem. O primeiro – ou melhor – os primeiros produtos a serem colocados no mercado foram os batons de acabamento matte em quatro cores que compõem a coleção ilha do mel. Como tudo que elas fazem, a linha é produzida, criada e pensada no Brasil, mais especificamente no Paraná – de onde as três vêm e moram.

O preço era uma incógnita, ainda não tinha sido divulgado oficialmente, mas em um vídeo super atencioso a Bárbara e a Débora já tinham dado uma noção de até quanto custaria a unidade do batom. Eu confiava que o produto ia ser de alta qualidade, mas com batons, eu não tenho boas experiências então, na verdade, seria um tiro no escuro mesmo, minha adaptação com novas maquiagens é complicada.

Apesar de tudo, arrisquei e comprei logo o kit com as cores todas, Farol, Trilhas, Encantadas e Mirante e aqui embaixo estão as minhas observações!

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  • De fora pra dentro

Essas caixinhas aí em cima são as embalagens das quatro cores e elas são, de fato, tão lindas quanto parecem. Esse design minimalista chic que as meninas adotaram pra Orna é a coisa mais linda. O único “porém” pra mim é que depois de abrir e fechar algumas vezes a caixinha de papel fica feiosa (a tampa das minhas já saíram praticamente) e eu realmente queria guardá-las pra sempre!

  • Cobertura

A cobertura é ótima! Justamente por isso, tenha cuidado ao passar, porque se borrar fica meio difícil de corrigir, até porque a secagem é ultra rápida.

  • Pigmentação

Os batons são bem pigmentados, há quem prefira colocar mais do produto pra ficar com a cor BEM protuberante, mas eu normalmente coloco pouquinho e já dá o efeito que eu quero.

  • Textura

A textura é de batom matte líquido, mas não é bem líquido, ele é bem concentrado, fica como se fosse uma pastinha, eu acho mais fácil de passar com essa textura, mas tem quem prefira o batom mais líquido.

  • Esse cheirinho ❤

Dá vontade de comer o batom de colher, sério.

  • Bom saber

A marca é Cruelty Free, produzida e criada em Curitiba. As meninas fazem parte do movimento Slow Fashion e eu realmente acredito que elas empreguem os conceitos de Fair Trade e Sustentabilidade nos produtos, então fica a dica pra quem quer consumir conscientemente.

As cores

Aqui em cima sou eu, sem efeitos, usando o batom Farol e o batom Mirante (depois de algumas horas de Paralimpíadas e, ainda sim, estava lá, vermelho, firme e forte!)

As outras cores também são lindas, mas não tirei foto usando ainda! Pra não ficarem chupando o dedo, vejam as fotos promocionais da marca, que estão todas lindas no instagram @ornamakeup !

Basicamente, eles são meus mais novos batons preferidos. Isso porque eu não suporto batom grudento e, antes desses, só tinha experimentado batons matte que descascavam ou desbotavam muito fácil. Enfim, cada um tem suas preferências e, ainda bem pro meu bolso, esses da Orna Makeup atendem às minhas direitinho.

Achei válido dividir a experiência. Kuss.

O justo é o novo preto: MALHA

Domingo um amigo comentou comigo sobre um novo centro de moda colaborativa que vai inaugurar em São Cristóvão. De fato, eu já tinha ouvido alguém falar sobre isso há um tempo atrás. Li em algum artigo, ou talvez no adoro (blog da farm). Como no dia estava em um momento de muita inspiração e curiosidade – curiosamente provocado por efeito inverso do que deveria ser minha ressaca da choppada de sábado – resolvi pesquisar mais a fundo.

Achei o projeto tão legal que resolvi escrever aqui sobre ele.

Na verdade a criação da MALHA é resultado de um processo de conscientização muito maior, que eu venho acompanhado já há alguns anos e que vai ter post específico sobre o assunto: o movimento slow fashion, o slowsumerism, sustentabilidade e a maior conscientização com relação à moda como cadeia produtiva.

Nos últimos anos nós vimos de tudo nesse mercado: trabalho escravo, questionamento sobre qualidade de material, questionamento sobre padronagem de tamanhos e o modelo de corpo das modelos, o descarte desenfreado de peças e coleções inteiras em nome de tendências que não se mantinham nem três meses nas prateleiras, fora o descaso com o meio ambiente, com a vida dos animais e, principalmente, das pessoas em áreas de produção.

A verdade é que já usamos tudo que podíamos desse mundo de forma muito irresponsável e chegou a hora de questionarmos o que tem sido feito e a forma como tem sido feito, pra criar novas oportunidades pras gerações futuras. Afinal de contas, uma indústria que faz tudo isso e sai impune não o faz sem qualquer autorização, pelo contrário, FAZ porque seu público consumidor apoia (mesmo que de forma tácita) os seus comportamentos. Vale tudo pela moda? As mudanças e a conscientização foram chegando em diversos campos cada vez mais fortes e implacáveis e a tendência é vermos cada vez mais transformações nos mercados que compõe o nosso dia a dia. #aindabem

Cada vez mais as pessoas questionam os métodos antigos pra buscar novos menos agressivos, mais humanos e que supram as necessidades de alguns sem arriscar e sacrificar as vidas de outros, seus costumes, sua dignidade. É preciso mudar o pensamento do público que recebe os produtos. Na moda esse pensamento também teve reflexo e boa parte dele está estampado no conceito da MALHA.

A ideia principal do projeto, que já vai sair do papel pra abrir as suas portas em São Cristóvão, é de conexão entre todos os pontos que se relacionam no mundo da moda – produtores, costureiros, estilistas, consumidores, fotógrafos. Todo mundo que tem um pézinho nesse mundo (ou não, mas queria ter) vai ter espaço pra conversar, se relacionar, produzir, consumir, aprender e ensinar na MALHA. Ou pelo menos essa é a proposta.

“Mas que diferença isso faz?” Primeiro que todo mundo pode se ajudar, assim, os custos de produção são dissolvidos entre diversos agentes. O material pode ser comprado em conjunto. O consumidor pode conhecer exatamente todos os processos da confecção da sua roupa. É mais fácil, desta forma, produzir com preço justo – tanto pros trabalhadores como pros consumidores. Resumindo: fica tudo muito bem, obrigada.

Eu, particularmente, como mera espectadora desse mundo e grande fã do André Carvalhal, um dos idealizadores, estou ansiosa pra ver como vai ficar na vida real a construção de tantas boas ideias. O espírito é pegar aqueles ditados “unidos venceremos”, “a união faz a força” e “se quiser algo bem feito faça você mesmo” e misturar em uma nova plataforma de criação, produção e divulgação de moda. Acho super válido todos que tenham interesse no assunto, no mercado, nos novos movimentos de conscientização e humanização do capital, irem e verem com os próprios olhos o resultado. Eu sei que eu vou!

Dá uma olhada no site dos caras pra ver o projeto, vale a pena! MALHA

Já até me inscrevi na newsletter deles pra receber tudo que tiver de interessante (;

É isso, achei interessante.

Vale a pena ler sobre o assunto (e assuntos conexos):

(1) http://radioibiza.com.br/blog/pra-vestir/nao-consuma-menos/
(2) http://www.malha.cc/midia/
(3) http://radioibiza.com.br/blog/pra-destacar/malha/
(4) http://reviewslowliving.com.br/2014/09/24/o-que-e-o-slow-fashion/
(5) https://issuu.com/mareperuska/docs/reportexx